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DOMINGO, 17 DE NOVEMBRO DE 1.996

Uma das maiores relíquias da história automobilística no Brasil esta pronta para ser contemplada pelo público,após mais de três anos de restauração.Trata-se do Protos 17/35 Laundanet, carro fabricado em 1.908 e um dos dois únicos exemplares existentes no mundo - o outro esta no Museu Alemão, em Munique.

A Protos foi uma das mais famosas fábricas de automóveis na Alemanha no ínicio do século.Fundada em 1.899 para fabricar veículos utilitários, poucos anos depois já começava a f azer carros de passeio e de competição.

O modelo que esta no Brasil teve vida curta: foi fabricado apenas entre 1.905 e 1.908.Neste último a Protos foi comprada pela Siemens, que produziu automóveis até 1.926, quando a crise econômica alemã forçou a fabrica a encerrar essas atividades.

O modelo recém-restaurado teve uma trajetória muito interessante no Brasil. Em 1.908, foram realizadas no Rio de Janeiro diversas festividades para comemorar a abertura dos portos às nações amigas.Na ocasião, o Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores do governo Afonso Pena, adquiriu na Alemanha quatro automóveis da marca Protos para completar a frota de carros oficiais a ser utilizada no evento.

Após as comemorações, um dos modelos passou a ser utilizado pelo Ministério das Relações Exteriores, ganhando a inscrição "RE" nas portas.Com a morte do Barão do Rio Branco em 1.912, ele passou a ser utilizado pela alfâandega do Rio de Janeiro e depois pela brigada policial.Em 1.925, já um pouco deteriorado, ele foi transferido para o museu histórico nacional, no Rio, onde permaneceu até 1.993, antes de partir para uma completa restauração em São Paulo.Não se tem notícia dos outro três modelos que chegaram ao Brasil.

O Protos tem espaço para seis passageiros, quatro na parte traseira,(fechada e cercada por janelas) e dois na dianteira,que não possue nem janelas e portas, apenas o pará-brisa.Este, por não possuir limpadores,pode ser recolhido e fixado ao teto, para não atrapalhar a visão do motorista quando sujo.

A carroceria é toda de madeira com pará-lamas de aço.O estofamento dos bancos e as saias laterais são de couro, mesmo material da capota traseira conversível.Os dois estepes ficam amarrados sobre o teto.O volante fica do lado direito.O carro mede 4,45 metros de comprimento, por 1,4 de largura,e pesa 1.050 Kg.O motor de quatro cilindros em linha é construido em dois blocos de aço.O bloco e o cabeçote ( em formato de "T") são fundidos numa peça só.Ele tem 4.560 cm3 de cilindrada,e gera 35 cavalos a 1.250 rpm e leva o carro a quase 80 Km/H.Para aciona-lo é preciso liberar a linha da gasolina sob o banco do motorista (onde fica o tanque de combustível) e girar a manivela na parte dianteira.Para desligar, basta girar a torneirinha, cortando o fluxo de gasolina.

Não há pedais no Protos.A aceleração é feita através de uma manivela no volante.Duas grandes alavancas do lado direito completam os instrumentos à disposição do motorista.Uma é o freio da rodas traseiras e o outro é o cambio de quatro marchas.

Cupins destruiram carroceria de madeira

Os cupins tomaram conta da carroceria de madeira do Protos nesses quases 90 anos de existência.Em 1993, o Ministério da cultura conseguiu patrocínio de diversas empresas para restaurar o automóvel..Mais de três anos depois ele esta novo em folha e funcionando perfeitamente.

A primeira etapa da restauração ficou a cargo da Mercedes-Benz, que conseguiu recuperar motor, câmbio e diferencial.Depois disso ele foi encaminhado à R&E Restaurações, uma oficina paulistana que recupera carros antigos."Nossa especialidades são modelos dos anos 50 e 60, mas topamos o desafio de recuperar o Protos 1.908", conta Eduardo Lambiasi, um dos sócios da R&E.;

Através de fotografias de carros da época, a R&E conseguiu confeccionar todas as partes de madeira da carroceria.Apenas alguns ítens de acabamento puderam ser aproveitados, como o teto do motorista, painéis laterais e traseiros e ferragens de sustentação.

O acabamento também ficou a cargo da R&E, com a capota conversível, forração dos bancos, apoios de mão, frisos, maçanetas e pintura.Vários setores de autopeças forneceram os materiais.O Protos viajou na semana passada de carreta para o Rio.No dia 27 haverá uma festa para marcar sua volta ao Museu Nacional.

Maiores informações sobre a história desse carro podem ser encontradas via internet, no endereço http://www.visualnet.com.br/mhn/mh-pfi.htm.






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